As
redes sociais têm o dobro dos propósitos. São uma montra de egos aumentados,
por razão da idolatrada acção munida de um infindável número de likes a chamar a atenção dos mais
distraídos e revela, na mesma escala, as fotografias e os enrugados textos
curtos, de pequeninos e diminuídos pela coçada auto-estima. Do outro lado,
estão as ofertas irrepetíveis. As que nos merecem mais do que um like desinteressado, que marca apenas,
tão miseravelmente, a nossa presença. Acontece, que se mostram, de privacidade
honrada, os momentos que nos reportam para vivências reais e distintas. Frases
que fogem aos chavões retirados de um qualquer site manhoso. Colocam-se fotografias
de escolha penalizada e personalizada, ao invés de um shot lunático de imagens fabricadas. Temos o poder, usamo-lo
conforme a consequência dos nossos olhos. Estava, há uns tempos, a rever uma
fotografia no Facebook. A fotografia pertence a uma amiga. Viajada, de
conhecimentos importados. A fotografia, despida de um sem números de filtros da
moda, distancia-se da afamada e multiplamente ampliada na rede, selfie. Fosse a minha avó sabe-la
existir e arranjava definição, para a dita da selfie, chamando-lhe de auto-retrato de saída rápida sem pausa para
as habituais demoras da maquilhagem da fotografia. No flash certeiro dessa minha amiga, de costas, vê-se a silhueta
definida, resguardada subtilmente por um conjunto de verão. Nos pés, umas
sandálias cruzadas, simples. As calças fluidas, gritavam cores que combinavam
com a tela que se encontrava à sua frente. Meia escondida pela sua própria
sombra. Um quadro datado, de traços vincados. A legenda, diminuída, avançava os
nomes da obra e do autor. Soberbo. Tal e qual o museu que as acolheu. À tela,
para a exposição e à minha amiga para uns largos minutos de pura força
cultural. Transforma-se a plataforma irreal numa realidade inteligente e
sensata. E não precisamos de procurar um espelho rafeiro de uma casa de banho
de um centro comercial. Era mudar. Eu julgo que era mudar.
Tu e os pormenores circundantes......nada fica ao acaso de uma mera foto..
ResponderEliminarSou Culpada!! Sim... facebookiana....
Gosto daquele espaço, o café virtual como lhe chamo quando a oportunidade de interagir com os amigos pessoalmente me é escassa...por distâncias ou por as nossas rotinas e prioridades não o permitirem.
Sou lá aquilo que sou em norma...brincalhona e cuidadosa....
as legendas...essas nem sempre são necessárias...os likes vêm ou não. Partilho por mim...tudo o resto é opcional e será sempre um ganho,
Como diria o outro....Quem vier por bem...venha venha também :)
Na certeza porém que nada daquilo é melhor, que um acto "desvirtual"...e presencial!
Beijinhos Real!
Gosto dos pormenores circundantes :)
EliminarMas, de modo algum, este meu texto é um atestado de culpa ao sem número de utilizadores do Facebook ou de outra qualquer rede social. Somos mais os que a frequentamos, do que a ignoramos, julgo eu. Eu estou por lá, também.
Centrava-me mais nas fotografias e acções, do que na rede social. Fazem parte. Como em todas as ferramentas à disposição, há todo um mundo de visões díspares em relação à sua utilização.
Estou contigo, quem por bem vem será sempre bem recebido.
Não vejo problema, assim o saibamos usar.
Beijinhos
Eu sei que não julgavas e concedo-lhes às redes sociais o perigo que espreita constantemente....sejamos ou não até conscientes....e cuidadosos.
EliminarHá muito que aprendi a ler e a ver e a ouvir na diagonal....uns chamam-lhe distracção...também será....mas também é um meio de reserva e protecção.
nem sempre concordo com aquilo que vejo e leio....mas lá está...cada espaço tem um dono que decidiu que fazia sentido publicar aquela foto...aquele comentário...aquela frase feita...aquele "recado"....e por aí.
resta-nos agir com a nossa consciência, também nos falha...por isso ainda nos permitem voltar atrás e carregar no botão DELETE...
já na vida...não podemos fazer o mesmo! :)
Beijinhos
Por mais conscientes e atentos que sejamos, nunca fugimos totalmente dos perigos, é impossível.
EliminarLer na diagonal parece-me mais atenção do que distracção :)
Não temos de concordar com tudo o que vemos ou lemos, é certo, mas também por não encontrarmos concordância, é que tudo fica mais interessante. Nasce a saudável discussão e apresentação de ideias.
Não sei se feliz ou infelizmente, mas a verdade é que na vida o que está dito e o que está feito fica para a posteridade.
Beijinhos