24.6.14

Contas de um corpo desenhado.

A matemática é o absurdo de uns, a paixão de tantos, o desgosto de um sem fim de progenitores, a máxima descoberta de alguns, o desaire de uns quantos. Mas, o que não se ousaria supor, é que a matemática pudesse, em algum momento, intervir na decisão de desenhar num corpo despido. A barba desgrenhada, tal o seu comprimento, as calças de ganga largas da marca que todos conhecemos, os ténis imponentes que chamam para si todos os olhares, o pólo que ganha logótipo no lugar do coração, os óculos graduados grandes e estilosos, oferecem aos disponíveis de definir com a antecipação de conceitos vagos e memorizados, que o rapaz é um noctívago, deambulante por tentações desmedidas e piedosas. Lamento, não é. Preferiu, se escolho bem a palavra, manter-se fiel às convicções que só a ele lhes competem respeito, em detrimento de um lugar na norma de uma sociedade de obrigações proporcionais à idade de um indivíduo. Escolheu, algures na matemática que não tem fim, um motivo para tatuar. Um motor que impulsionou e um conjunto de linhas com sentido que, por fim, desenhou.

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