Fim
do dia. Sou visita. Gente a chegar e estacionar. Outros a partir. Na rua que não tem saída.
Os portões são os números. Os jardins que espreitam ensaiam nas mentes
distraídas um paraíso. Quebra-se o silêncio e soa um clamor sem fim. Foi levada
em braços um tanto de vezes. Desgrenhada e de voz gritada. A roupa denunciava
desleixo de quem havia de ser surpreendida na cama de quem pagou. Naquele
bairro não é típico esse rancho aglomerado de desavindos actos. Tanto quanto sei.
Preferem calar os desgostos, mantê-los da porta para dentro. Não se amarrota o
tecido, não se desvia a gravata, não se ousa pensar, sequer, em tocar nas jóias
penduradas num corpo que desliga, por não ser próprio. O outro corpo, carregado
como um animal de caça, praticamente desnudado foi a excepção. Pendurada nos
braços de quem a chamou. A magreza num todo mistifório. Berros de quem foi, uma
vez mais, posta à margem. Naquele bairro, tanto quanto conheço, não se expõe.
Compõe-se. A bronca é transversal. Lamento a desumanização autónoma ou
induzida. Lastimo a carência de quem deixou o corpo e a alma por mãos alheias.
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