9.6.15

Um livro rabiscado e a jovem do fim de tarde.

Vem de vestido florido, Converse All Star nos pés. Tem a mala num braço, um livro na outra mão. Senta-se e cumprimenta quem está à volta. O cabelo está sossegado, mas nunca impossível de mexer um ou mais centímetros. Ameaça viajar sem sair dali. Sorri para o empregado, e fala baixo. Esboça um sorriso enquanto pega no livro e abre na página assinalada. Não usa separador, as páginas estão marcadas. Imagino-as cheias de letras, tais os apontamentos que surgem das passagens relevantes. O livro sobre a mesa de madeira, a mão direita comanda a passagem das páginas, a mão esquerda brinca com o rosto. Chega a bebida e faz uma pausa. Agradece ao empregado. Toma um pouco da bebida e volta à leitura. Eu continuo à espera, que teimo em ser pontual. A vista é soberba, a esplanada que irrompe pela piscina que, por sua vez, faz pensar que se nos deixarmos ir, vamos precipitar-nos pelo verde adentro. Finalmente, chega quem eu aguardava. Tomamos algo e conversámos. Disse-lhe, outra vez, para largar o tabaco. Que vício pernicioso, meu bom amigo. Retorquiu, usando dos factos: Não sei ser outra coisa. Já sabes disso. Só vivo para ter o prazer de viver todos os vícios. Aceito, disse-lhe. Contudo, só até ao dia em que chegues ao desprazer. Adiamos, pois a filosofia, sem ter hora marcada, tem exigências tamanhas. Na mesma mesa, logo depois da nossa, continua a jovem. Agora acompanhada por uma senhora, que chegou de chapéu e daí para a frente, conversaram e riram juntas. E tem nome, a jovem do livro rabiscado, Maria Francisca.

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