Enquanto
a lareira queima, a gosto, a lenha que lhe coube em sorte, o vinho frutado
tinto, respira. Para salientar e definir. Um tom repousado. Agora, que paro,
sei que necessito de uma formação na área dos vinhos. Infelizmente falta-me
cultura enológica. E tempo aliado à disposição. É um julgamento sentido. Mas,
enquanto o cenário se compõe, também com as horas a baterem no pesado relógio
de parede, permito-me pensar que não entendo o peso e a importância de um nome.
Ou, antes, de um sobrenome. Parece uma arma de arremesso. Uma necessidade
tacanha de deturpar vidas. Como se, porventura, um sobrenome elevasse ou fustigasse
alguém. Como se conhecêssemos e reconhecêssemos, a priori, o íntimo do outro,
assim se apresentasse apoiado num extenso ou num corriqueiro sobrenome. Galopa
o girar da incapacidade de gerir acções e emoções. Torna-se fácil e banal
apontar o dedo. Até, imagine-se, pelo peso e tamanho de um nome. Putativamente
desgastante. Também me recordo que, há uns tempos, numa situação social algo
informal, apresentaram-se e apresentei-me. Disse-lhes o meu primeiro e último
nomes. Dispensei os restantes. Como sempre faço, por força da razão e do
hábito. Retorquiram que eu era tomado de um empirismo arraçado e peneirado de
um registo altamente formal. De uma certa intelectualidade. Até para a minha
tenra idade. Tanto quanto me recordo, quando me ensinaram, chamaram-lhe
educação. E eu sorri ao cavalheiro. Mas não dispensei rematar a conversa com o
meu ponto. Tornei a apertar-lhe a mão. Vulgar como tropo. E ainda me falta
aprender tanto sobre vinhos. O meu pai esqueceu-se. Prioridades.