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28.8.14

Em diferido. #16

O verde alface, quase um ano volvido - Do tilintar da campainha, surge a rigor o homem que carrega o correio. De porta em porta. De rua em rua. De estação em estação. Carrega-o envolto. Prenhe de notícias. Procura os números e moradas. Os que ainda não reconhece. Entrega-o. É o fim. Do que lhe compete. Na caixa do correio de casa, protegida da chuva que, ora carrega, ora alivia. Guarda uma encomenda. O remetente é simpatia, amizade. Também é educação de primeira e intelectualidade sem esforço. É o compromisso de não esquecer, mesmo que a distância leve a melhor. Os notebook são uma referência. São o esquecer fingir. São memórias riscadas. Assinaladas. Assinadas. Embrulhado, estava um. Vizinho do livro que guarda apontamentos, estava um envelope, verde alface. Dentro, palavras sinceras e causadas da saudade. Termina com um cumprimento pejado de afecto. Sem peças do maquinismo. Cativado. E grato.

29.1.14

O verde alface.

Do tilintar da campainha, surge a rigor o homem que carrega o correio. De porta em porta. De rua em rua. De estação em estação. Carrega-o envolto. Prenhe de notícias. Procura os números e moradas. Os que ainda não reconhece. Entrega-o. É o fim. Do que lhe compete. Na caixa do correio de casa, protegida da chuva que, ora carrega, ora alivia. Guarda uma encomenda. O remetente é simpatia, amizade. Também é educação de primeira e intelectualidade sem esforço. É o compromisso de não esquecer, mesmo que a distância leve a melhor. Os notebook são uma referência. São o esquecer fingir. São memórias riscadas. Assinaladas. Assinadas. Embrulhado, estava um. Vizinho do livro que guarda apontamentos, estava um envelope, verde alface. Dentro, palavras sinceras e causadas da saudade. Termina com um cumprimento pejado de afecto. Sem peças do maquinismo. Cativado. E grato.

25.11.13

A minha mãe tem um envelope.

Sair, para fazer compras, pode tornar-se enfadonho, uma verdadeira maçada. Não raras vezes, faço-o com a minha mãe. Seja avenida acima, numa ou outra loja de nome sonante, seja no comércio tradicional ou, irremediavelmente, num centro comercial. Num dos passados fins-de-semana, fizemo-lo novamente. Assistimos, como esperado, a um género de combalido desfile de fashion week. O bom gosto perde-se, totalmente diluído no nímio desajuste da realidade. Acontece, quer na loja onde somos recebidos à entrada, com todos os formalismos, como na loja de vestuário low cost. O dinheiro engana, mas não mente. Ignorando, a dada altura, os exibicionismos  do tempo presente, que obriga à elevação dos egos. Voltamos à conversa. O propósito, dizia-me ela, era comprar uma clutch envelope. Algumas lojas depois, encontrou-a. Descobri que, envelopes, ultrapassam o revestimento para as cartas. Espero-as de amor.