Casos
há em que resumir uma resposta sem que me faça parecer um velho que guarda as
palavras na proporção da idade e das experiências, pode tornar-se num desafio
tremendo. Porque a eloquência tem muito mais genica, raça e piada. É um
entusiasmo que não se esgota, senão quando perde para a tensão de não querer
brincar mais, ainda que por breves e prudentes instantes. Assim como quando éramos
putos e a sinceridade se sobrepunha à vontade de fazer mais actividades.
Escolher. Seleccionei-as, embora, poucas. Sempre certo e conhecedor do que
queria. Escolhi um desporto diferente. Fui a provas e campeonatos. Não me
corria mal, era bom naquilo. E melhor, era feliz a fazer aquilo. Mas é difícil,
às vezes. Como quando escrevo e declino toda e cada letra que desenhei para trás.
Tão verdade como ter perdido a conta ao número de palavras que desperdicei.
Talvez, e muito certamente, por nunca me aguentar na corrida. Fico enfadado da
subida e descida das minhas palavras. Também, e muito mais, das histórias que
carrego. Contradigo com o que faço. E do desporto da infância e adolescência
nunca mais o pratiquei. Lembro-me agora que foi porque, a dada altura, me
saturei. Como em tudo, relatos há que fazem parte de um espaço.
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3.12.14
6.1.14
A esperar-te autor.
Chamou-me
de poeta, assim saciou a vontade, instantes depois de me ler. Comentou a minha
criatividade e a coordenação que encontrou nos meus versos. A mensagem que lhe
fiz chegar, tão banal quanto desmedidamente poderosa. Não sabe, ninguém sabe,
nem lhes cabe em obrigação. Não sabem que fujo da poesia, porque a verdade é
triste. Bater no fraco é vulgar, é oposto gritante do bonacheirão. Fujo, dizia
eu, do poema. Dos poemas a criar, dos poemas a nascer. Por medo do que é
monumental. Não me atrevo. Não me reconheço no arriscar poemas escrever.
Esqueçam, não faço senão ler poesia de autor. Dos que abrem espaço à
organização das regras, mesmo que as matem. Poesia também é isso. Explico que
não tenho poemas. Mas não tenho por medo. Tive-lhos, em tempos. Perderam,
contudo, a função. Pedi a mim que parasse de escrever, focando-me, justamente,
no escutar. Apenas escutar. Apenas assim. Até, quem sabe, aprenda como e com
quem nasceu poeta. Mas há-de vir, porventura, um dia a lembrança. Mesmo triste
que seja. Poesia não escolhe. A poesia, no lugar certo, grita por alguém. Para
alguém.
21.11.13
Idiotas que escrevem.
Convidaram-me
a escrever. Disseram-me que devia escrever um livro. Um romance com um final funesto.
Agrada-me a melancolia do preto e branco. Apraz-me a musculatura de uma
história enviesada no ermo da comoção. Garantem-me, seria uma opção distinta
para mim. Assunto que afastei, dizendo que adoro escrever, mas assisto-me
sempre aquém. Ao que me responderam: “Isso é treta. Depois de começares a coisa
compõe-se. A sério, há tantos idiotas a escreverem best sellers. Tu, se assim
entenderes, podes ser o próximo a sustentar o oposto”.
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