Pinta
por cima de cada movimento de fim de dia, o carro e o menino que não sabia. Pinta
a fachada cortada com janelas várias. Pinta de imagens a fugir pela tela
melindrada. É a decoração de uma sala. É sala, a cidade mexida e vestida. Fogem
histórias em imagens contadas. Fogem por entre os defeitos de finos arcos e
quadriculadas janelas. É cenário vivo e sossegado. Como se não fosse possível.
Como se impossível fosse não imaginar. A paragem é a estratégia para parar. Um
lugar de honra para assistir a história a passar. Terreiro do Paço, praça de
excelência, de vídeo pintando com um novo e atractivo ar.
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16.12.14
7.10.14
‘The show must go on’
Fingindo
ter um microfone à frente, gesticulava e cantava. Firme. À capela, supunha-se.
Popular no som, imponente e corpulenta na voz. Extravagante no figurino. Ousada
no penteado. A letra, fluente na memória. O cover
invariavelmente antigo. A banda atrás. O público na frente. Os aparelhos
afinados. O palco montado. A miopia a favor. O microfone ali. Refutando a
esperança irrealizável. Ganhando vida, não era fingimento. Era protecção.
Sabia-o ali, à sua frente. Afastando o olhar para lá dele. Fica na sombra. Por
ela, até ao amanhecer. Vagos pensamentos. Compassada, deixando-se levar,
esquece o fingir. Atribui efeito. Faz sentido quando não contamos menos. Siga o
espectáculo.
4.9.14
Estado do espírito.
Numa
zona de tempos remexidos, pano de fundo de uma cidade que perdeu figuras, conta
a história. Lembramos desgoverno de gente, assim se fez a tentação de marcar.
Atirar. Hoje, tem outro convite. Por estes dias, volta a ser tela. De movimento
exposto nas paredes. De pessoas que regressam ao encontro de ver passar. As
idades não têm exclusividade. Os lugares não têm obrigação de coerência. Guardam,
se quisermos, a memória da ocorrência. As cabeças seguem as imagens. Começa o
espectáculo com data marcada. Dinamizam-se as noites. No entretanto, faz-se
silêncio. A rua é palco. Mesmo que a tela não seja a arquitectura datada. Ainda
que, mesmo por ela passando, não se lhe perceba a desenvoltura e dedicação. Se
possível, é voltar atrás e ver de novo.
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