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21.3.14

Chamemos-lhe tudo, menos Felicidade.

A escadaria do metro que antecede uma das zonas mais movimentadas da capital é, a par de outras estações, um requinte de troca de olhares, uma mistura de tropeços que se esquecem e falham por ali. É um contacto de voltas directas com as múltiplas culturas que, felizmente, vamos encontrando. A Felicidade, que não gosta, nem na intimidade, do seu nome, compensa no corpo, nos actos finos e tresloucados, se preciso em simultâneo, e nas palavras tortas. Veste-se como quer, não é oferecida, contudo é bastante ostensiva. É sedutora porque, como tantas vezes lhe sai boca fora sem pensar, o corpo é dela, desenha-o e esculpe-o ao seu jeito e feitio. Adorna-o como quer. Quanto às tatuagens, que as sabe de cor e salteado, mente quando lhe perguntam quantas são. Diz-lhes que não sabe. Mas faz a perfeita ideia. São treze. Propositadamente treze. Todas feitas na razão do pião que é a sua criatividade. Os sentimentos são anos que cessam a razão de cada uma. E torna a calhar-lhe na triste sorte quotidiana, voltar a passar pela estação de metro de todos os dias. Leva na mão direita uma mala grande e um livro. É Tolstoi. Tem um ar gasto e sedutor. Pergunto-me porquê Tolstoi. Ninguém é de ninguém. Nem as afinidades e os interesses. Não lhe perguntei. Ela seguiu doce e atrevida, como o passado que carimba com a sua passagem. Subindo a escadaria. A tatuagem maior a olhar para trás.

15.5.12

O Metro.

Apercebo-me que o Metro ou mais precisamente as escadas de acesso a ele ganham outro encanto, quando, da boca de alguém que admiramos, sai um elogio rasgado a nós próprios. Obrigado, D. És um encanto de rapariga.