O
casario corrido deixa margem e desafia a curiosidade de imaginar o que se faz e
como se vive de cada porta para dentro. É uma rua de elegantes entradas. De
nomes que fazem os restaurantes e uma ou outra loja. A esta hora, jamais se
vêem pessoas a procurar sonhos em cada montra decorada. Do contemporâneo ao
barroco ou ao renascimento. Estilos pouco disciplinados no tempo, inverso do
estilo que procura esta rua. As portas coloridas chamam a atenção, nesta rua
não é excepção. Depois de recebidos, nada senão um lanço de escadas de madeira
que responde a cada passada. Descemo-las e logo se fez festa de luz e o bom
gosto de uma sala composta. Mesas baixas, a luz certa, o ambiente definido. A
surpresa de quem gosta de evoluir nas sugestões. É a comida da moda, amor de
exclusividade, recusa de quem não entra na roda. Servem-nos sushi sobre a
tábua. É um jogo de damas, por delas me lembrar quando lhes conheço a
disposição. Ou xadrez, se alguma vez me tivesse feito entendido. Os lugares
definidos, feita a jogatana a que nos havíamos proposto, invertemos o caminho. Sob
a noite iluminada, não me lembrava de outra coisa que não fosse o próximo livro
que vou comprar. A elegância de espírito sobrepor-se-á, por demais e para
sempre, ao delicado saber dispor e compor o lugar.