28.5.15

Atenção ao sabor do vento.

Anda meio mundo enganado. Por isso, lê muito, escreve o suficiente, ouve o possível e guarda. Guarda na memória, num livro cuja leitura seja entusiasmante, num bloco de cabeceira. Onde for, mas fá-lo. Acima de tudo, devo garantir, fá-lo por ti e para ti. Porque anda meio mundo enganado. E não querem saber. Anda a outra metade na corda tão bamba. Anda metade deste mundo iludido. Julgam, imagina tu, que são o epicentro. Que o mundo, esta escala desregulada, gira e gira, mas sempre à sua volta. Pois. O tempo passa e a carreira nunca espera. As notícias acontecem e não aguardam por uma qualquer decisão ou aval alheio. À janela, entre as cortinas apartadas, aquela velha senhora vê o tal mundo passar e, como deves supor, não vai só em ti reparar. Quase que adivinho que é promessa. Ficar de braços encostados, cabelo arranjado, olhar triste. Promessa ou procura de ilusões. Contrariedade mundana. Anda meio mundo ludibriado. A outra metade procura, precisamente, a ilusão. Nem damos por isso. Nestas voltinhas, nestes pruridos. Aqui sentado, privilegiado como sempre me disseste que sou, fico a vê-los passar. Há jornais na mão, pernas cruzadas, chapéus com fitas a condizer. Bancos de jardim acompanhados. Crianças com sorrisos na cara. O pequeno rapaz de carro na mão chora enquanto o levam pelo braço. Estrangeiros de máquina em riste. Fatos elegantes passeiam por aqui. Malas, sacolas e sacos de todas as cores. Gente para cima, gente para baixo. À espera que o dia chegue ao fim. É só alguém não se esquecer.

2 comentários:

  1. Anda meio mundo enganado e outro meio a tentar enganar-se. Tão verdade.
    Nunca me achei o epicentro de nada (e ainda bem. que, como já disse, alguns defeitos têm de ficar para os outros. :p). Mas já me tentei enganar muitas vezes. Tantas. Só que o meu (mau) feitio vincado (é verdade, este defeito ficou todinho para mim) nunca deixou que isso acontecesse por completo. E, olhando para trás e para o lado, ainda bem. :)

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    1. Mam'Zelle Moustache,
      Os inteligentes da sociedade ou os descerebrados, conforme o prisma e a definição de cada um, vivem para não deixar viver. É verdade, mas se recorrermos à discussão mais primitiva, foge-nos tudo. Porque a evolução só acontece com direito se oferecer progresso da postura A para a postura B. E fujo dos fundamentalismos. O A e o B foi uma tentativa desconexa de me vislumbrar como um qualquer "treinador" de um vasto conjunto de populares ;)
      Esse defeito também não o apanhei, embora, possa numa ou noutra situação passar a ideia contrária.
      Olhando para trás, todo e qualquer indivíduo que perceba que saiu imune a esse defeito, só pode largar um feliz "ainda bem", seguido de sorriso ;)

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