19.7.12

Voltei.

Às vezes não precisamos de ter o tempo muito ocupado para não termos tempo para fazer aquilo que queremos e precisamos. Procrastinamos até ao limite, alegando que depois fazemos e fazemo-lo melhor e mais depressa. Mentira! Não acontece, simplesmente.

Bem, ausências à parte, não resisto escrever sobre uma situação que venho vivendo nos últimos dias. A saúde é um bem que jamais devemos colocar à mercê de uma qualquer vontade ou vício. Há exactamente uma semana, um familiar alucinou completamente. Quando digo que alucinou, aconteceu de uma forma bastante agressiva e sem capacidade para combate-la. Depois, não se tratando de alguém muito próximo, porque nem tão pouco costuma ser visita de nossa casa, desconhecíamos o seu historial clínico, mas acabamos por desconfiar de uma esquizofrenia não assumida e muito menos tratada. Uma primeira ida ao hospital não resultou, porque o seu discurso tornou-se fluente e sem quaisquer sombras do que havia sentido e dito. Acabou por se refugiar, já fora do hospital, recusando a ideia de que padecia de um problema que necessitava de tratamento o quanto antes. Esta situação prolongou-se por cinco dias, mas ontem, por fim, conseguimos levá-lo novamente para o hospital, onde a recepção foi bem melhor e mais direccionada para o problema. A noite foi longa, mas até aqui, mantém-se hospitalizado e aguardamos notícias de quem o ficou a acompanhar.

Não consigo escrever sobre o que senti durante todos estes dias. Era olhá-lo cabisbaixo, notoriamente com um sofrimento interno desmedido, para não falar dos momentos de extrema revolta e agressividade. É terrível estarmos frente-a-frente com uma pessoa que se autodestrói e recusa tratamento. É a ausência de vida e de capacidade de viver. Felizmente, conseguimos encaminha-lo. Aguardamos francas melhoras.

Voltei, mas não foi de férias!

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