Não
raras vezes, acontece ouvir, a propósito do mesmo casal, as mesmas curiosidades,
os mesmo comentários. Porquê? Porque tanto quanto julgo saber, 15 anos os
separa ou, na verdade, os juntou. São um casal jovem e, não aparentam essa
diferença. Ela tem 37 anos, ele 22. Não parece. Juntos, são da mesma idade.
Literalmente. Não é a minha boa vontade a atribuir-lhes concordância. Gosto de
os ver, mostram-se felizes, sempre simpáticos. Ele ganhou uma vida nova,
diz-nos o seu rosto. Ela é um sorriso gigante. Isto, para dizer ou concluir
que, até na felicidade ou principalmente na felicidade alheia, é preciso
encontrar defeitos, salientar o que os torna diferentes. Imagino sempre os
invejosos sentados numa mesa de café, contemplando os alvos e engolindo
pensamentos terríficos ao mesmo tempo em que os expelem, em jeito de assinalar,
qual “adivinhe as diferenças”, tudo o que os outros emanam de extraordinário.
Hoje, voltei a vê-los, a cumprimentá-los e, logo de seguida, mal viraram
costas, voltei a ouvir, palavra por palavra, os mesmos comentários. Não
respondi, nunca respondo. Quase nunca respondo. Prefiro o silêncio. No final,
uma alma cansada disse: “Têm essa diferença de idade? Ainda bem, sempre ouvi
dizer que, para um casamento bem vivido, a mulher é mais velha que o marido”. A
sabedoria popular nunca desilude.
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