A
cadeira, quando permitem, é objecto de grande atracção e encanto. Resvala para
plano inferior quando, quem dela se ocupa, é digna do título de sumidade.
Estatura média, suportando um tailleur vistoso
de tecido nobre, o cabelo irrepreensivelmente armado, instala-se na
extremidade, tal qual lhe ensinaram. As pernas juntas, apartadadas para a
esquerda, os braços ligeiramente justapostos e as mãos entrelaçadas. Recusa
tomar chá. Apenas por hoje. Não pede scones. Não simpatiza, por aí além, com
tudo o que se faz cliché. Fala, quando encontra justificação. Permanece a
aliança. Memória residente na mão esquerda. Aceita tomar uma bebida
espirituosa. Há excepções que merecem lugar. É inteligente. Também nos actos.
Olhando-a, desta forma, sentado ao redor, no cadeirão datado, poder-se-ia
julgá-la arrefecida e ociosa. Falácia! É, garanto, modesta, da mesma forma como
nos sentamos numa cadeira. Ensinou-me, desde cedo, que homem ou mulher, não nos
esgotamos na aparência, muito menos naquilo que possuímos.
Aquilo que consigo retirar é que essa Senhora é isso mesmo...uma Lady.
ResponderEliminarA cadeira, poderia ser de madeira, daquelas antigas e de madeira lascada e corroída, mas, a forma como alguém se senta nessa mesma cadeira diz que não importa, poderia ser forrada a ouro ou não... é o que vem de dentro e que se transmite, nessa forma tão natural como quem nela se senta.
Voltamos ao assunto dos valores....e os valores que falamos não são os materiais...são os da alma e do coração.
Aqueles que tão bem tu relatas, os que importam.
Beijinhos Real :)
Talvez seja suspeito, mas sou incapaz de lhe negar o título de lady.
EliminarEstou totalmente de acordo com a importância que as pessoas passam, ou não, para os objectos. Ou lhes retiram. A educação e o que é intrinsecamente nosso, molda tudo o resto.
Os valores são o suporte, porventura, perdidos, perdemos identidade. Para nós e para os outros, que nos assistem.
Obrigado! :)
Beijinhos