2.1.14

Metamorfose mundana.

No retrato do novo ano, está alguém a ler o jornal do dia, as notícias baralham os nomes, mas não mudam para melhor. As crónicas azougadas, mas a desculpa perfeita para encarar o que não dizem. Falar por falar, não esconde o olhar. Das lembranças, confirma que com o dia nasce o sol. As massas correm aos saldos. Aconchegando o pescoço, estão os cachecóis. No calçado, assalta a questão de sempre, a dúvida fica pelos sapatos luzidios, os ténis de marca ou os botins de pele. Numa roda-viva, a ambição e as perspectivas. Além Tejo, um pedido de casamento. Ao lado, pousa o cigarro que se gasta, fumegando. Ao ouvido, os amigos à conversa, enquanto a mão esconde a maçã. A ponte procura ligar pessoas. A música que agrada está desinteressada da segurança da lista de lugares. Os transportes públicos entram, desavisados, pela cidade. As pingas da chuva escorrem vidros abaixo. Os pequenos e grandes furtos são amigos da miséria. Os aviões perdem-se de vista. O futuro procura uma saída. As verdades, que são meias, servem desculpas. É, por isso, uma metamorfose invertida. Se as há. Mundo, num ciclo.

4 comentários:

  1. "Falar por falar, não esconde o olhar". Um belo mote para este novo ano :)

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    1. Acredito que sim, Raquel. Porventura, um excelente ponto de partida, a que nos pudemos agarrar, assim nos falte a vontade de o encarar :)

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  2. Não gosto de meias coisas ....muito menos meias verdades....meias vidas...meias desculpas...
    O mundo é um ciclo, que viciamos....
    resta-nos a nós, abrir as páginas do nosso próprio jornal e procurar as nossas noticias, aquelas que teimamos em esconder ...lê-las e redescobrir uma nova janela de sol!
    Tudo o resto se torna cenário....pertinente...mas cenário.
    Beijinhos e bom ano novo

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    1. Também me fazem confusões as coisas que não se fazem por inteiro. Talvez, seja o perfeccionismo a falar, mas acredito que deve ser total, pelo menos, a entrega. O resultado, depois vê-se.
      Como tudo, temos a mania de viciar, em parte, porque procuramos a rotina. No fundo, queremos confiança.
      É verdade, também a selecção depende de nós :)
      Beijinhos
      Um exelente 2014!

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