Há
cores por cima de cada cabeça, a fazer de conta um arco-íris. Há verdes fitas,
amarelas, vermelhas, azuladas e brancas até. O bailarico começa lá em cima,
onde se bamboleiam as iluminadas faixas lisas com cores fortes. Esticam-se de
um prédio ao outro. Deslizam entre e sobre os arames estrategicamente
colocados. Açambarcam ruas, átrios, pracetas e becos. Unem janelas e vizinhos.
Daquela ponta, onde a janela sossega escancarada, até ao outro lado, de varanda
decorada, de manjericos pousados. Das afamadas coloridas fitas, caem adornos
vários. É alusão ao santo, à folia, à comemoração. É festa que une população. Pedem-se
casamentos felizes e relações abençoadas. Começam namoros, arrancam casórios. Em
cada ruela a surpresa. Montam-se arraiais em cada esquina. Enquanto se faz
caminho passa-se a mão pelos manjericos vários, cheiram-se as sardinhas no
fogo, ouve-se o vinho a escorrer para cada copo. Lisboa leva atenção. Da terra
ou visita, se fazem os convivas. À noite, as marchas pisam solo requintado,
deslizam avenida fora. Aplausos e vencedores. É noite de animação sem fim. É um
festejo popular, rompendo país fora. É um vai e vem que deixa saudade. Até ao
novo ano, até à festa democrática.
Gosto tanto desta época, quase tanto como do Natal. A minha cidade preferida enche-se de sons alegres, de cores ainda mais alegres, de sorrisos tão populares como os santos. :)*
ResponderEliminarEu adoro esta altura. Nem sei exactamente porquê. Deve ter fundo no facto de ser uma festa transversal, sem preconceitos e de uma dedicação tão genuína. Depois a cor e as gentes pela rua, são qualquer coisa. E, jamais, me esqueço, há festas por esse país fora que tão bem retratam este quadro! :)
ResponderEliminarUm beijo.