Sonho
com o dia em que a sala de leitura se transforma numa biblioteca digna. Forrada
a livros devidamente identificados. Guardar-se-á, num compartimento as revistas
que colecciono. Muitas de música. Outras tão genéricas. Mas sempre de proveitosas
matérias. Grandes capas e elogiosos recheios. Em alguma parte desta casa estão
revistas. Capas que vislumbrei e jamais lhes li o conteúdo. Outras que
espreitei, por me cruzar com elas sobre a banqueta e a mesa de apoio. A Elle, a Vogue ou a Vanity Fair
deixadas por entendidas da moda. Nesta casa, algures numa gaveta de recordações,
estão revistas de nicho. A moda é um exemplo, porque as abandonaram por cá. Não
sei, sinceramente, se algum dia a minha mãe lhes pousou a vista. Nesta casa,
onde a minha cadela é rainha, lê-se sem preconceitos. Entendem-se as comadres e
os compadres.
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25.11.14
5.5.14
Sem alteração inesperada.
Não
é novidade. Acredito nas viagens que fazemos com as marcas da alma, conduzidos
por uma qualquer criatividade quente e palpitante no desejo de nunca escassear e
pelo convite de um indutor simples. Gosto de livros. Gosto bastante de livros.
Gosto, talvez numa luta de proximidade, de ver para lá do instinto. De observar
e olhar o que se faz à minha volta. Aprecio reparar na arquitectura particular,
de tomar atenção nas construções banais ou de ficar a recordar dos prédios em
desfeito abandono. Uma parte dos meus amigos, não negam, gostam de parar para
ver passar. Não sei se é opinião de muitos. Mas, a nós, faz-nos felizes.
Sossegar e relatar, em silêncio, as palavras que criamos em resposta às imagens
sucessivas. Nunca pára. Há de modo infindável, movimento. As pessoas que passam,
a quem lhes desenhamos traços de personalidade. As janelas que escondem vidas.
Tudo. No entanto, volto sempre aos livros. Gabo sempre as bibliotecas. Tenho-me
distanciado, por negligência. Volto às palavras escritas, quietas. Daquelas que
dá para partilhar vezes sem conta. Não ficam, somente, em nós. Devemos sempre
regressar-lhes e partilhar. Uma das imagens que guardo junta o livro, as
pessoas e a pausa para ver. O cenário é limpo. Claro nos tons, requintado na
decoração. Duas poltronas e escolhemos o sofá do lado, que nos recebe bem mais
juntos. Segurando o livro, segredávamos a história. A experiência de partilhar
um livro. Não é novidade que junta pessoas.
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