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6.10.14

Conversa com sono.

Escrevo sem conhecimento efectivo, embora, conheça um ou outro que vive de fazer rir. Sem a causa que me permite debitar palavras mil sobre a capacidade de supor conhecimento. É um caminho bravio, porventura, um misto de velocidade incoerente. Ouvi, depois de um espectáculo, há uns tempos, um homem falar dos operários do riso. Não me lembro das palavras ditas, senão da ideia que delas me ficou. Uso, portanto, daqui em diante, as minhas palavras para encarrilar a deturpada definição. A comédia tem contornos de quem faz beicinho. É um pedaço de mau caminho. Perde-se nela e com ela, com tamanha facilidade, a cabeça. É como uma dor que obriga a fazer o tal beicinho. Dizia o mesmo homem, que comediante não é actor, tampouco, um actor seguro. Não rouba outra luz, apenas o riso à vela. E, permiti-me pensar, o tempo repete-se. E discordar, o fatalismo e cegueira de flexibilidade não gostam de plurais valências. Como um qualquer adágio que dura e perdura num infinito que nunca chega ao fim.

15.1.14

Necessidade imperiosa de rir.

Rir é o melhor remédio, uma frase feita, repetida sem conta pelos defensores do riso como terapia. Pessoalmente, devo assumir, não simpatizo com a ideia de que muito riso é sinónimo de pouco siso. Quiçá, porque desde cedo me faz confusão as pessoas serem espartilhadas nos actos e nas palavras, por força de uma norma socialmente inquebrável. Obrigando-se a viver à mercê de uma fuga constante das suas emoções, não fossem parecer desavindos da norma. Não fossem ser mal interpretadas. Diz-se, dos donos do riso fácil, que são loucos, por serem incontroláveis da sua risada. Que mostram a mente insana, através da gargalhada aos molhos. Eu prefiro ficar-me pela ideia de felicidade que um sorriso ou uma gargalhada me transmitem. Porque tenho muito medo dos que cerram os lábios para não perderem a condução. Depois, também de pequeno, sempre tomei de ouvido que, de médico e louco, todos temos um pouco. Os que não têm um Dr. antes do nome, lhes hão-de caber um surto em sorte. No entretanto, valha-nos a risada enérgica. Quem ri por último, não ri tão melhor ou mais do que aquele que ri amiudadamente.