Não conheço a miúda da franja, senão pelo que vou
ouvindo dizer, senão de a ver passar. Tem passadas rebeldes, sorriso
escancarado, estilo próprio. A miúda da franja avança estrada fora de forma
descoordenada, mas como se a sua missão fosse apanhar o mundo. Tem uma
história, estória talvez, que corrobora a sua vontade de mudar. Seja o terreno
que foge com a estrada, seja o mundo inteiro. Porque a idade lhe foi roubada,
assim aconteceu o nascimento. A desatenção vem daí. A miúda da franja é
julgada, todos os dias, pelo ausente filtro nas palavras. Nos actos. Não se
permitem conhecê-la. Porque conhecer alguém é trabalhoso. Conhecer alguém que
precisa de atenção, redobra. É penoso. A miúda da franja não é entendida. Não
lhe olham pelo coração. Chocalham-lhe os sentimentos, quando a reprovam. Só porque
é. E, jamais, querem parar para compreender. A miúda da franja, nesses actos e palavras
resistentes e musculadas, esconde o forte escudo que vem construindo. Pois, não
aparenta, mas consome-lhe as ideias. Come-lhe os sonhos e o quotidiano. Depois
de um coração feito em farrapos, ressarcir-lhe a auto-estima e a confiança nos
outros é doloroso. As teias impedem. Contudo, há surpresas. Há quem se preocupe
com os outros e nunca se aborreça com o caminho. Há quem integre a miúda da
franja. Há quem a faça sentir-se parte. Parte de um grupo. Quem a inclua. E,
nesses momentos, a miúda da franja agradece, denunciando a fragilidade que
esconde, com a doçura de uma menina. A menina que é. Agora, envolvida que
estava com a amizade, afastaram-na. Não quem lhe mostrou o que é gostar. Foram
outros. Não conheço a miúda da franja, senão de ouvir contar, senão de a ver
por ali, todos os dias. Mas, não me podem pedir que não me incomode com acções
deficientes como esta. Não se afastam pessoas. Não se escondem pessoas. À miúda
da franja, o meu mais sincero desejo de que seja feliz. De que, a partir de
ontem, o seu caminho seja mais meigo. Ah! E, não te esqueças, miúda da franja,
apanha o mundo.
com e sem franja...parece que já vi histórias ou estórias assim...
ResponderEliminarTalvez precise de cortar a franja e assim... também... cortar com os maus ventos...
aos outros.... não lhes concedo qualquer importância...porque assim sendo, com atitudes tão pequenas....não as merecem!
Boa sorte Miuda!
Beijinhos**
Verdade seja dita, comportamentos destes não são exclusivos para com as miúdas de franja. Ela, neste momento, para mim, tornou-se um exemplo fiel da crueldade da incompreensão alheia.
EliminarNão merecem, com certeza, que lhes sirvam qualquer importância. Mas, na fragilidade da miúda da franja, caiem-lhe como armas.
Boa sorte para ela! Vou sabendo dela :)
Beijinhos
é tão mais fácil apontar o dedo .... que parar e ouvir, tentar perceber...
Eliminarporque ao parar e perceber, talvez tivessem que se rebelar contra os restantes que se recusam a abrir os olhos, a tamanha evidência...
e há os que gostam de ser parte de grupos....mesmo que sejam maus grupos...
Felizmente, ainda há quem veja para além do óbvio...e se preocupe e interesse pelas estórias que marcam as personalidades...
Isso sim... de valor! Tenho a certeza, que ela te sorrirá!!
Beijinhos
O facilitismo é senhor, assim, nos apoquente a ideia de despender tempo com alguém que não sejamos nós. A vida corrida influencia o desfasamento. Mas, não o justifica. Temos medo.
EliminarPessoas. Ser humano. Não precisamos de ouvir mais nada.
Assim espero. Acredito, sinceramente, num percurso feliz para a miúda. A da franja.
Beijinhos