10.1.14

A miúda da franja.

Não conheço a miúda da franja, senão pelo que vou ouvindo dizer, senão de a ver passar. Tem passadas rebeldes, sorriso escancarado, estilo próprio. A miúda da franja avança estrada fora de forma descoordenada, mas como se a sua missão fosse apanhar o mundo. Tem uma história, estória talvez, que corrobora a sua vontade de mudar. Seja o terreno que foge com a estrada, seja o mundo inteiro. Porque a idade lhe foi roubada, assim aconteceu o nascimento. A desatenção vem daí. A miúda da franja é julgada, todos os dias, pelo ausente filtro nas palavras. Nos actos. Não se permitem conhecê-la. Porque conhecer alguém é trabalhoso. Conhecer alguém que precisa de atenção, redobra. É penoso. A miúda da franja não é entendida. Não lhe olham pelo coração. Chocalham-lhe os sentimentos, quando a reprovam. Só porque é. E, jamais, querem parar para compreender. A miúda da franja, nesses actos e palavras resistentes e musculadas, esconde o forte escudo que vem construindo. Pois, não aparenta, mas consome-lhe as ideias. Come-lhe os sonhos e o quotidiano. Depois de um coração feito em farrapos, ressarcir-lhe a auto-estima e a confiança nos outros é doloroso. As teias impedem. Contudo, há surpresas. Há quem se preocupe com os outros e nunca se aborreça com o caminho. Há quem integre a miúda da franja. Há quem a faça sentir-se parte. Parte de um grupo. Quem a inclua. E, nesses momentos, a miúda da franja agradece, denunciando a fragilidade que esconde, com a doçura de uma menina. A menina que é. Agora, envolvida que estava com a amizade, afastaram-na. Não quem lhe mostrou o que é gostar. Foram outros. Não conheço a miúda da franja, senão de ouvir contar, senão de a ver por ali, todos os dias. Mas, não me podem pedir que não me incomode com acções deficientes como esta. Não se afastam pessoas. Não se escondem pessoas. À miúda da franja, o meu mais sincero desejo de que seja feliz. De que, a partir de ontem, o seu caminho seja mais meigo. Ah! E, não te esqueças, miúda da franja, apanha o mundo.HH

4 comentários:

  1. com e sem franja...parece que já vi histórias ou estórias assim...
    Talvez precise de cortar a franja e assim... também... cortar com os maus ventos...
    aos outros.... não lhes concedo qualquer importância...porque assim sendo, com atitudes tão pequenas....não as merecem!
    Boa sorte Miuda!
    Beijinhos**

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    1. Verdade seja dita, comportamentos destes não são exclusivos para com as miúdas de franja. Ela, neste momento, para mim, tornou-se um exemplo fiel da crueldade da incompreensão alheia.
      Não merecem, com certeza, que lhes sirvam qualquer importância. Mas, na fragilidade da miúda da franja, caiem-lhe como armas.
      Boa sorte para ela! Vou sabendo dela :)
      Beijinhos

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    2. é tão mais fácil apontar o dedo .... que parar e ouvir, tentar perceber...
      porque ao parar e perceber, talvez tivessem que se rebelar contra os restantes que se recusam a abrir os olhos, a tamanha evidência...
      e há os que gostam de ser parte de grupos....mesmo que sejam maus grupos...
      Felizmente, ainda há quem veja para além do óbvio...e se preocupe e interesse pelas estórias que marcam as personalidades...
      Isso sim... de valor! Tenho a certeza, que ela te sorrirá!!
      Beijinhos

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    3. O facilitismo é senhor, assim, nos apoquente a ideia de despender tempo com alguém que não sejamos nós. A vida corrida influencia o desfasamento. Mas, não o justifica. Temos medo.
      Pessoas. Ser humano. Não precisamos de ouvir mais nada.
      Assim espero. Acredito, sinceramente, num percurso feliz para a miúda. A da franja.
      Beijinhos

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