É
um compincha de idade maior, daqueles que já perderam parte da farta cabeleira,
onde os fios de cabelo que restam, já desbotaram. Junta aos olhos cansados, os
óculos suspensos no nariz. Com a distância perfeita, para que, nas letras
desenhadas no jornal, seja ajuda e compreensão, e para quando levantar o olhar,
seja desprotecção. Para que, sem oferecer grandes desajustes, enxergue com
atenção. Entre a conversa atenta e a leitura demorada do jornal, ia-me falando,
divagando nos pormenores, estórias de outros tempos. Ligações de uma vida cheia
às composições das reportagens de jornal. Acredita na formação dos jovens. A
sina castra oportunidades. A intuição e vocação não são suficientes, contava-me
com a certeza de quem fala com conhecimento de causa. Uma causa própria que,
irremediavelmente, guarda dores medidas. O tempo esgota as reservas da dor.
Traçou-me o perfil do que havia desejado ser. Desenhou o percurso da profissão.
Do profissional. Sem que, em momento algum, houvesse experimentado, guarda a
certeza de que teria sido um dos melhores. Os superiores em quantidade e
qualidade também se perdem. Sofrem o prejuízo antes mesmo de tentar. Depois,
bem depois, cai em desuso. Em esquecimento falado. Fica, somente, no interior
guardado.
Adorei especialmente a parte dos cabelos desbotados. Muito bom!
ResponderEliminarRaquel,
ResponderEliminarUm valente obrigado! :)
A sério.
Um beijo.