15.8.13

O Algarve tem uma aldeia.

Além, onde a serra se funde com as mais belas espécies existe uma aldeia. Uma aldeia que deu lugar a ascendentes familiares que tanto prezo. Que amo. Desde sempre. Da infância guardo as visitas, o regresso. À aldeia. Às pessoas. Aos familiares que, amiúde, me esqueço. Engraçado lembrar-me que nunca havia ficado por lá mais que um dia. Nunca. Era uma visita em jeito de passagem. Cada vez menos, muito menos, são os regressos, as visitas. Contudo, não esqueço o lugar. As casas pintadas. As pessoas às janelas. As pessoas sentadas no poial, como se diz por lá. As ruas empinadas. A calçada. As ruas estreitas. As janelas de madeira. A matriz. A garagem que deu lugar à mercearia. As árvores e as flores reluzentes nos canteiros. O eucalipto. Os amores perfeitos. As ribeiras de água escorreita. O cheiro, o cheiro é inigualável e indescritível, no entanto, ao longe já se faz sentir. No Algarve, num outro Algarve existe uma aldeia. Também, no Algarve, existem aldeias. Onde pessoas e paisagem fazem sentido. Onde o postigo, por momentos, mantém-se aberto. E é aqui que, não quando quero, mas quando preciso, regresso. Na última quarta-feira regressei. Novamente, não porque quero, mas porque a vida chamou. A vida não. A morte. Maria Rosa, partiu. Melhor assim, dizem. Partiu da aldeia e das pessoas de sempre. De e para sempre.

2 comentários:

  1. lamento....
    a partida da Maria Rosa...e que o teu regresso tenha sido por algo triste e não marcado por acontecimentos felizes.....lamento
    beijokas

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