25.11.13

A minha mãe tem um envelope.

Sair, para fazer compras, pode tornar-se enfadonho, uma verdadeira maçada. Não raras vezes, faço-o com a minha mãe. Seja avenida acima, numa ou outra loja de nome sonante, seja no comércio tradicional ou, irremediavelmente, num centro comercial. Num dos passados fins-de-semana, fizemo-lo novamente. Assistimos, como esperado, a um género de combalido desfile de fashion week. O bom gosto perde-se, totalmente diluído no nímio desajuste da realidade. Acontece, quer na loja onde somos recebidos à entrada, com todos os formalismos, como na loja de vestuário low cost. O dinheiro engana, mas não mente. Ignorando, a dada altura, os exibicionismos  do tempo presente, que obriga à elevação dos egos. Voltamos à conversa. O propósito, dizia-me ela, era comprar uma clutch envelope. Algumas lojas depois, encontrou-a. Descobri que, envelopes, ultrapassam o revestimento para as cartas. Espero-as de amor.

10 comentários:

  1. Não há nada como o cheiro de uma carta "em papel" ...escrita com amor....e até essas tradições se perdem com a tal da "evolução".
    Para lá dos fashions e dos low costs...fica a companhia....tão bem escolhida e a cumplicidade óbvia, salta à vista, sente-se daqui deste lado...tudo o resto é novamente apenas cenário...o cenário e os detalhes.
    O dinheiro....move-nos a vida como o Tic tac dos relógios... ;) felizmente, notória é a incapacidade de corromper algumas pessoas de forma negativa ...como tu :)
    Beijinhos***

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    1. Falta-nos isso. A caneta e o papel, cerrado depois por um envelope indicando o destino. Para muitos, principalmente da minha idade para baixo, não conhecemos a troca de mensagens e cumprimentos através da escrita, através de uma carta. Afinal, fomos desde logo habituados às tecnologias facilitadoras do quotidiano, contudo, castradoras do charme da uma caligrafia oferecida.
      O dinheiro pode, muito bem, ser uma bomba, caso não haja juízo.
      Agradeço as palavras, todas. Por aí, quer-me parecer, preferem-se relógios de parede, à corrompida negatividade ;)
      Beijinhos

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    2. Engraçado, que o ir à caixa do correio perdeu o glamour de antes!
      Agora só me escrevem para me pedir dinheiro....qual amor ;)
      Eu, ainda apanhei a parte manuscrita, fosse ela de amor, amizade, maternal, fraterna....o que fosse...era sempre uma emoção. Guardo-as, relei-o-as algumas vezes. às vezes sorrio pela imaturidade e ingenuidade do conteúdo, mas no fundo a mensagem é ternurenta e emociona.
      sim....TIC TAC!! ;) o dinheiro ...palavra feia não é? tem uma carga estranha...loolll... usemos-lo....não o deixemos que nos use....
      Ainda assim, prefiro o cheiro das cartas...e a boa companhia!
      Beijinhos

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    3. O glamour dissipou-se com a fuga do papel que carregava boas novas. Agora, é isso, chegam-nos uma panóplia infindável de cartas, é certo, mas para nos indicarem um valor a retribuir. Lá se foi a chama da curiosidade. Agora calha-nos sempre o mesmo.
      O dinheiro vem-se tornando assim por força de muitos que não vivem com ele, mas antes, vivem por ele.
      Será que ainda há quem borrife perfume sobre elas? ;)
      Beijinhos

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    4. Quero acreditar que sim!!! ;)
      Até porque dependendo de onde provêm....conseguimos "quase" sentir o aroma de quem as escreveu....
      Os sentidos...gosto de pensar que os "sentidos" ainda fazem toda a diferença ;)
      Beijinhos**

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    5. Eu também quero acreditar nisso. Na entrega tal, que haja necessidade de reforçar as palavras e os sentimentos, com o cheiro que lhes conhecem.
      Os sentidos dão dimensão às coisas, portanto, estou contigo na importância que têm :)
      Beijinhos

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  2. ... as cartas de papel retirando as das cobranças :) tornam-se quase inexistentente ... já as clutch nunca saiem de moda :)

    abraço

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    1. No que às cartas efectivas diz respeito, restam-nos os papéis com contas a pagar. Contudo, gente haverá que ainda as escreve com outro propósito.
      Acabo de constatar que sim. Parece que, primeiro estão sempre na moda, segundo nunca são suficientes :)
      Abraço

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    2. Há clichés que se ultrapassam. São verdades efectivas :)

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