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13.1.15

Faz sol no meu país.

Ó, tempo, volta para trás. Por um instante, vale um cachimbo da verdade. Há tão poucos. Motes há, imagine-se, que são tão inocentes. Tão banais na situação, tão relevantes na emoção. Quando pegamos numa memória física, jamais, reconhecemos o propósito de inventar a primeira intervenção. Não partimos daí. Um perfeito quebra-cabeças. Lembro-me de uma máquina fotográfica antiga, das que já ninguém se lembra, fala ou revela. Mostraram-ma numa cruel desvantagem. Num tempo em que não conhecia, senão, a sozinha paixão pela fotografia. Pela imagem, antes. Em pequeno rapaz, onde não era mais do que atracção. Onde não prestei a devia atenção. No outro dia, uma Polaroid foi a entretenha da comunhão. Enquanto esperávamos pelo resultado, falámos de uma Manhattan de outros tempos. De uma década onde as fatiotas janotas eram predicado e condição. Onde saíam dos lugares e dos transportes com casacos sem comparação. Perdia-se de vista toda a razão. Estreavam todas as passagens na rua da moda. O pai e a mãe levavam as crianças pela mão. Depois corriam para o parque de animações. Nessa altura, outra Polaroid nas mãos, guardava os momentos partilhados. Devolviam os olhares. Indutora paixão. Naquele serão, de novo, a memória na mão. Não conheço quem não tenha. Não conheço, não.

26.11.14

Em diferido. #23

Dar e possuir vida - Presta atenção ao que te digo. Esse vaivém em que ficas quando visitas o que alguém expõe, não acrescenta nada de novo à tua interpretação das telas. Complica-te, desde logo, as ideias, depois as sensações e os sentimentos que possas, porventura, adquirir enquanto desfocas o olhar e a atenção, quando pretendes o inverso. É bem mais difícil conheceres a raiz e a matriz deste autor. Nem te apercebes dos tons, das texturas, no fundo, dos materiais, da obra. Puxa uma cadeira, encosta-a à parede ou coloca-a no centro da sala. E, então sossegado, permite-te admirar. Não há cadeiras? Claro que não. O espaço é, propositadamente, clean e destaca a obra. Não há cadeiras? Bem sabemos que não. Distancia-te do vaivém em que ficas quando visitas a manifestação da produção intelectual de alguém. E aproveita. Puxa da imaginação. E, se preciso for, senta-te na cadeira composta pela criação, no chão. Em frente, o tal objecto artístico. Aproveita o privilégio de habilitar o conhecimento.

27.3.14

Dar e possuir vida.

Presta atenção ao que te digo. Esse vaivém em que ficas quando visitas o que alguém expõe, não acrescenta nada de novo à tua interpretação das telas. Complica-te, desde logo, as ideias, depois as sensações e os sentimentos que possas, porventura, adquirir enquanto desfocas o olhar e a atenção, quando pretendes o inverso. É bem mais difícil conheceres a raiz e a matriz deste autor. Nem te apercebes dos tons, das texturas, no fundo, dos materiais, da obra. Puxa uma cadeira, encosta-a à parede ou coloca-a no centro da sala. E, então sossegado, permite-te admirar. Não há cadeiras? Claro que não. O espaço é, propositadamente, clean e destaca a obra. Não há cadeiras? Bem sabemos que não. Distancia-te do vaivém em que ficas quando visitas a manifestação da produção intelectual de alguém. E aproveita. Puxa da imaginação. E, se preciso for, senta-te na cadeira composta pela criação, no chão. Em frente, o tal objecto artístico. Aproveita o privilégio de habilitar o conhecimento.