Ó,
tempo, volta para trás. Por um instante, vale um cachimbo da verdade. Há tão
poucos. Motes há, imagine-se, que são tão inocentes. Tão banais na situação,
tão relevantes na emoção. Quando pegamos numa memória física, jamais,
reconhecemos o propósito de inventar a primeira intervenção. Não partimos daí.
Um perfeito quebra-cabeças. Lembro-me de uma máquina fotográfica antiga, das
que já ninguém se lembra, fala ou revela. Mostraram-ma numa cruel desvantagem.
Num tempo em que não conhecia, senão, a sozinha paixão pela fotografia. Pela
imagem, antes. Em pequeno rapaz, onde não era mais do que atracção. Onde não
prestei a devia atenção. No outro dia, uma Polaroid foi a entretenha da comunhão.
Enquanto esperávamos pelo resultado, falámos de uma Manhattan de outros tempos. De
uma década onde as fatiotas janotas eram predicado e condição. Onde saíam dos
lugares e dos transportes com casacos sem comparação. Perdia-se de vista toda a
razão. Estreavam todas as passagens na rua da moda. O pai e a mãe levavam as
crianças pela mão. Depois corriam para o parque de animações. Nessa altura,
outra Polaroid nas mãos, guardava os momentos partilhados. Devolviam os
olhares. Indutora paixão. Naquele serão, de novo, a memória na mão. Não conheço
quem não tenha. Não conheço, não.
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13.1.15
26.11.14
Em diferido. #23
Dar
e possuir vida - Presta atenção ao que te digo. Esse vaivém em que ficas quando
visitas o que alguém expõe, não acrescenta nada de novo à tua interpretação das
telas. Complica-te, desde logo, as ideias, depois as sensações e os sentimentos
que possas, porventura, adquirir enquanto desfocas o olhar e a atenção, quando
pretendes o inverso. É bem mais difícil conheceres a raiz e a matriz deste
autor. Nem te apercebes dos tons, das texturas, no fundo, dos materiais, da
obra. Puxa uma cadeira, encosta-a à parede ou coloca-a no centro da sala. E,
então sossegado, permite-te admirar. Não há cadeiras? Claro que não. O espaço
é, propositadamente, clean e destaca
a obra. Não há cadeiras? Bem sabemos que não. Distancia-te do vaivém em que
ficas quando visitas a manifestação da produção intelectual de alguém. E
aproveita. Puxa da imaginação. E, se preciso for, senta-te na cadeira composta
pela criação, no chão. Em frente, o tal objecto artístico. Aproveita o
privilégio de habilitar o conhecimento.
27.3.14
Dar e possuir vida.
Presta
atenção ao que te digo. Esse vaivém em que ficas quando visitas o que alguém
expõe, não acrescenta nada de novo à tua interpretação das telas. Complica-te,
desde logo, as ideias, depois as sensações e os sentimentos que possas, porventura,
adquirir enquanto desfocas o olhar e a atenção, quando pretendes o inverso. É bem
mais difícil conheceres a raiz e a matriz deste autor. Nem te apercebes dos
tons, das texturas, no fundo, dos materiais, da obra. Puxa uma cadeira,
encosta-a à parede ou coloca-a no centro da sala. E, então sossegado,
permite-te admirar. Não há cadeiras? Claro que não. O espaço é,
propositadamente, clean e destaca a
obra. Não há cadeiras? Bem sabemos que não. Distancia-te do vaivém em que ficas
quando visitas a manifestação da produção intelectual de alguém. E aproveita. Puxa
da imaginação. E, se preciso for, senta-te na cadeira composta pela criação, no
chão. Em frente, o tal objecto artístico. Aproveita o privilégio de habilitar o
conhecimento.
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