Mostrar mensagens com a etiqueta movimento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta movimento. Mostrar todas as mensagens

25.8.14

Acontecimentos de uma rua vivida.

A rua é curta para tamanha caminhada. Tamanho grupo de pessoas que se ocupam a passear. Das dezassete horas em diante, a rua fica composta de corpos. Moda de rua, se preferirmos pensar no pousar o tempo no areal de uma praia Algarvia com uma revista da especialidade ao lado. Um cliché, se procurarmos contar. Vencida, por certo, pela revista de conteúdo magro, arraçada de cor-de-rosa. Por seu turno, esta rua enche-se. Vão para lá, voltam para cá. Daqui de cima, a vista privilegiada de quem toma uma bebida e se prepara para outro cliché, morder mais um sunset. No verão as questões são outras. As madrugadas querem insónias. As ruas querem pessoas. As praias que oferecem bandeira de verde autorização. Do que vai colado ao colo, ao velho que é um cofre de gritos de estórias. Cofre, por nunca lhe souberem o código, por nunca o procurarem para ouvir. Neste desencontro de rua, morrem tantas coisas. Pensas em morte, de gente ou de esperança, mesmo de um copo de cor atraente na mão e boa companhia ao lado. Nunca te cansas de ver passar. A agonia desatenta de quem nunca tem a graça de querer ler a satisfação de uma rua carregada de almas. Que sina.

15.5.14

Seja bem-vindo.

Aquele prédio é alto. Dos que se impõem. Marca, altivo, a sua presença naquela rua carregada de movimento, de pessoas, de transportes e de um todo do que se faz uma cidade central e dinâmica. Também guarda devolutos, tantos. Aquele prédio tem uma porta grande, de vidros vários, tão alta que convida a cabeça de quem passa a olhar-lhe nos olhos. Uma montra velha ao lado, esquecida. Tão perdida no tempo que não passamos sem recuar-lhe o olhar. Tem tantos andares, ainda mais janelas. As tonturas obrigam a parar-lhes a contagem. Não sei quantas janelas compõem-lhe a frente, tampouco o verso, que se esconde num dos típicos jardins recuados. Ainda as janelas e quão diferentes são. Aquele prédio tem janelas recuperadas, outras renovadas e ainda tantas desprezadas. Algumas carregam a memória do ar condicionado. Umas limitam-se a ser um vidro inteiro, as outras de vidros separados. Umas estão abertas, outras fechadas e há ainda as que, pelo ausente uso, teimaram em tornar-se perras. À entrada, servindo de tapete à porta grande e à montra zangada, temos calçada portuguesa, num desenho que fizeram, nos tons que conhecemos. Passam pessoas, param pessoas. Ficam à conversa sobre todas as coisas e sobre coisa de espécie alguma. Logo a seguir, há quem entre pelo prédio, depois de avisar, pisando os degraus de madeira, segurando o corrimão que partilha madeira com ferro. Lá em cima, num terceiro andar, espera sempre alguém. Com a porta aberta, de sorriso franco, oferecendo as boas-vindas.