Justifica
a selfie, ou o desfile de selfies que, guardadas no iPhone, desafiam várias caras, com a
independência. A vulgaridade do termo e do acto desinteressa-lhe. Importa-se um
nada. Perturba-lhe tanto como o destino de bandas desapossadas de talento.
Fotografar-se é um talento. Um privilégio fazer um retrato sem que precise de
outras mãos. É um tempo que não ganha rugas de espera e desespero. É
instantâneo, como se pretende por estes dias. A alternativa da longevidade é o
desinvestimento. Não convém prestar atenção à qualidade. Veste-se a vaidade.
Mostra-se o momento à sociedade. Ganham-se posturas e posições que favorecem a
fotografia de objectiva que treme. Justificar, por si só, comporta culpa. Ou,
no limite, desconforto, constrangimento. A selfie,
assim como, outras modas e manias, é uma opção. Válida se não contrariar.
Altera-se todo o tabuleiro de posturas e coerência no jogo, quando a explicação
e sobrepõe à acção. Quando demora bem mais do que a reacção.
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27.8.14
26.8.14
A causa das semelhanças.
Apoquentam-me
as incongruências, o desfasamento de opinião. Pouco me importa se a estudante
de comunicação social veste um pano com o desenho da pele do leopardo, enquanto
puxa de um cigarro de ocasião. Não me interessa se aqueles dois corpos
despidos, sentados à beira do mar, têm outro propósito. Tampouco me atropela a
atenção se despir a voz no cimo de um prédio alto é, para um corpo, um acto de
sinceridade. Rala-me, se me mostrar disponível, outros retornos, outros
excertos. Dos que importunam o todo. É como os olhos. Exercem o oportuno estimulo
de olhar e decidir. É devido esperar pelo desenvolvimento de todo e qualquer
acontecimento.
18.2.14
Obra por executar.
Antes
de colocar o meu perfume preferido, depois de ajeitar o casaco e de apertar os
atacadores do calçado de pele de tons castanhos. Enquanto aperto o meu relógio,
um Casio banal, intemporal, lembro-me
da tatuagem de um amigo. Porventura, a única que, até ver, me fez balançar.
Porque, tantas vezes, a minha opinião é a mesma. Gosto de tatuagens, muito. Mas
não as gosto em mim. Porque não gosto do sempiterno. Do para sempre. Em nada. E
é do mais pessoal e privado possível. Outras tatuagens agoniam-me. Metem-me
medo, de tão graves. Rafeiras e sem feição. Opiniões. Quem sabe, desde que não
me esqueça de quem sou.
5.9.12
Não, obrigado.
Bem sei que este mundo e parte substancial do outro já comentou, falou, escreveu, opinou, detestou, aprovou, repudiou, não gostou ou simplesmente não quis saber, porém, sem querer voltar ao assunto propriamente dito que fez notícia por estes dias, não pude deixar de pensar nas touradas e na forma como as vejo.
Encaro-as sem qualquer interesse público, embora, reconheça os aficionados e o seu gosto pela tauromaquia, até porque, grande parte dos ascendentes da minha família, principalmente família materna, o são. Não quer isto dizer que a tradição seja o que foi e que a admiração por esta prática seja transmitida de geração para geração. Felizmente, tal como eu, muitos têm acompanhado esta tendência.
Recuso-me assistir a qualquer corrida de touros, seja numa praça, seja pela televisão. Não encontro nenhum pingo de arte numa prática que se presta a um espectáculo como este, que dizem, é tradição. É, com certeza, mas a civilização evolui e os tempos mudam. (Digo eu!) Assim sendo, qual é a justificação para se manter uma tradição que visa, em plena praça pública, afrontar um animal? A não ser que o touro seja um animal de segunda ou terceira. (Já agora, onde se encontra a lista da hierarquia animal?)
Posto isto, acho o que aconteceu recentemente tão lamentável e desprovido de propósito, que não há mais a dizer. Não escrevi para apontar o dedo a A, B ou C, simplesmente não gosto e nada me impede de dizê-lo.
Touradas? Não, obrigado.
Encaro-as sem qualquer interesse público, embora, reconheça os aficionados e o seu gosto pela tauromaquia, até porque, grande parte dos ascendentes da minha família, principalmente família materna, o são. Não quer isto dizer que a tradição seja o que foi e que a admiração por esta prática seja transmitida de geração para geração. Felizmente, tal como eu, muitos têm acompanhado esta tendência.
Recuso-me assistir a qualquer corrida de touros, seja numa praça, seja pela televisão. Não encontro nenhum pingo de arte numa prática que se presta a um espectáculo como este, que dizem, é tradição. É, com certeza, mas a civilização evolui e os tempos mudam. (Digo eu!) Assim sendo, qual é a justificação para se manter uma tradição que visa, em plena praça pública, afrontar um animal? A não ser que o touro seja um animal de segunda ou terceira. (Já agora, onde se encontra a lista da hierarquia animal?)
Posto isto, acho o que aconteceu recentemente tão lamentável e desprovido de propósito, que não há mais a dizer. Não escrevi para apontar o dedo a A, B ou C, simplesmente não gosto e nada me impede de dizê-lo.
Touradas? Não, obrigado.
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