Há
quem vista uma blusa de lã grossa, calce umas botas grossas e não se esqueça de
umas peúgas quentes. Quem coloque, ainda, um cachecol forte, um casaco
protector e elegante e, se for homem de coragem, termina com um bonito chapéu
de qualidade. Do jeito dos que se viam nas lojas antigas no centro da cidade.
Ainda as temos, míseras lembranças. Uma aqui, outra ali. Chapéus, uma paixão
por viver. Depois, porque parece que a chuva só molha os tolos, há quem vista
uma blusa de riscas para enganar o tempo e a água que não dá descanso. Riscas
azuis e brancas. Ou pretas e brancas. Já não me lembro. Tácticas de um jogo ingrato.
Que pouco importam. Ou nada. Não me queixo das técnicas alheias. Mas volto
sempre ao princípio. Um chapéu de bonito corte e tecido forte.
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11.2.15
21.10.14
Uma espécie de provérbio.
Ser
beto ou dondoca é uma definição gasta, mas persistente. De resto, como as
práticas tão típicas de um Portugal que insiste em vestir de gala as vergonhas
de um país desbaratado e desesperado. Aqueles casacos de fato, com um corte tão
desajustado do corpo, são negligentes escolhas. As calças seguem o caminho que
está guardado. As escolhas de quem não guarda na boca e na educação a obrigação
de escolher um bom fato. Uma segunda pele, ouvi algures e voltei a ouvir mais e
mais vezes. É um ensinamento de imagem, da imagem que faz uma pessoa. Arrisco
eu, que não deixo de compreender quem erra na escolha. Eu sei e percebo que não
conhecemos todos as mesmas verdades, porque na vida a verdade muda de feição
com a necessidade. A elegância de mão dada com a combinação do corte, tecido,
cor e os botões de punho. Os últimos, para esta medida, nada importam. Mas é
vê-las, às erradas escolhas, a fazerem-se passear sobre os corpos que não lhes
pertencem. Hoje, adultos formados e homens confirmados. Como se um fato medisse
a má rês de uma pessoa. Voltamos à universidade onde, a dada altura, os fatos
aparecem. Para alguns, pela primeira vez. Ou compram na loja que todos
conhecemos ou pedem emprestado ao familiar que o mantém minimamente em bom
estado com ajuda da naftalina. Paro, então, para me lembrar dos meus amigos que
seguiram direito. Poucos, para ser sincero. Uma escolha cómoda, lembro-me de
falarmos disso. Por estes dias, desses poucos, apenas um se manteve fiel. Os
outros fugiram da área. Usam, contudo, a formação para outras profissões. E,
passa tão rápido que nunca mais tiveram vontade de colocar um fato. Ressalvo
ocasiões formais. Na anarquia que rouba o ser para eleger o parecer, só veste a
pele quem quer.
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