Quando
petiz, um tanto antes da adolescência e durante a mesma, ainda os tempos nos
pareciam eternos e, embora, fossemos rapaziada consciente, a nossa inexperiência
convidava-nos à perpetuação de uma ideia materializada de um sonho típico, onde
nada ousaria, sequer, beliscar as nossas vontades, ideologias e acções.
Contentávamos conversa com a certeza de que havíamos, mais adiante, de ter uma
pão de forma. Não importava a cor, a quilometragem. Chegava-nos o acontecimento
de ganhar a maioridade, de passar a tangente. De ter, de facto, os tão afamados
dezoito anos. Acontecer-nos-ia a fortuna de correr mundo. De conhecer pessoas,
espaços e arquitecturas, convicções religiosas, terra sem fim, línguas e
linguagens de outros. Sem provas, mas convictos, seria uma viagem sem data nem
fim. Onde, à vez, um de nós abriria caminho ao volante. Voltados estes anos,
que já passaram a perna aos dezoito, não tivemos uma pão de forma, nem viajamos
como desenhamos. Mas faz memória eterna. No domingo passado, falava com uma das
sonhadoras desta viagem, não falámos da pão de forma, mas repetimos a idade que
temos e da necessidade de ter juízo, como se fosse, uma vez mais, por metas.
Aos dezoito anos a pão de forma, agora o juízo. E respondi-lhe que há coisas
que não mudam. Seja qual for a idade que nos pesa. Nem tivemos a pão de forma
na idade que sonhamos, nem alteramos a faculdade do discernimento quando nos
dizem que tem que ser. Imagine-se, deixar de sonhar, apenas e só, porque nos
falhou aos dezoito anos.
Eu e a minha amiga da adolescência (e de sempre) continuamos a sonhar com a nossa pão de forma. Os anos passam, ela vive em Inglaterra e com um filho, mas nós continuamos a sonhar com a nossa pão de forma. :)*
ResponderEliminarNunca deixar de sonhar...e nunca deixar de ter uma falta de juizo moderada...senão onde é que está a magia?
ResponderEliminarQuanto à pão de forma...como sonhei com ela anos a fio...ainda hoje quando vejo uma o meu coração acelera...como se os meus sonhos tivessem nela. Mas até lá...que se viaje de outra forma =)
Raquel,
ResponderEliminarEu também não perdi a esperança de ver chegar a pão de forma, de correr o mundo possível com ela e com os amigos que, comigo, arquitectaram esta típica vontade.
Os anos só podem apurar os nossos sonhos. Um beijo :)
Nada,
ResponderEliminarA ideia de que, em adultos, temos a certeza de que os sonhos se vão embora e o juízo chega em doses, para mim, letais, é um absurdo. Depois, temos à nossa volta vontades e realidades reprimidas.
Eu, nos dias de hoje, também tenho essa sensação, quando vejo uma pão de forma. Parece, em instantes, o sonho mais próximo :)