18.11.15

À espera do tom.

Não se pede silêncio. Apagam-se as luzes. Fica o passado ali, o presente a crescer. O futuro que há-de vir, a certeza que se nega. Bate o pé sobre a carpete de desenhos pequenos. A particularidade aos seus pés. As galochas que não escondem a marca da moda. Bate o pé, espera a afinação. Bate o pé, começa o som atrás de si. Bate uma e outra vez. O pé calçado, não tem descanso. A perna balança. Os ombros dançam simpáticos. A um ritmo nada monótono. Soam, atrás, os acordes esperados. Senta-se, enquanto a saia junta as pernas. Sabe que dali só o melhor. Canta com as palavras certas, a goela solta. Pega no microfone com a cara de quem sente. Sente a canção, ri de olhos fechados. Franze o olhar. Semeia o ambiente ideal. Os ombros não mentem, vão para lá, voltam para cá. Os cabelos livres acompanham. Levanta-se, salta levemente. Canta sem impaciência. Repete esta fisicalidade com outras notas, só devemos agradecer. No instante, nada falta. A jovem mulher que canta como senhora de outros tempos. Que calça como menina de brincadeira à chuva. Que sente a canção que é da gente, como se tivesse nascido numa espécie de rua assim. Perde-se a sombra, voltam as luzes. Com a certeza de que, por aqui ficaremos, até à próxima contemplação.

Sem comentários:

Enviar um comentário