Na
norma acontecem, felizmente, excepções. Desconfio de coincidências. Algumas, para
não ser tentador generalizar. Factos há que nos parecem tão palpáveis e
irrevogáveis que, jamais, lhes colocamos no eixo das coincidências. Ironia, quando,
precisamente, no seguimento do primeiro jogo de Portugal neste mundial de
futebol, ou seja, frente à Alemanha, me chegaram fotografias de outros tempos.
Coincidências à margem, chegaram-me, justamente, da Alemanha. Minutos depois do
desditoso resultado. Em dia da derradeira oportunidade, lembro-me disto. Tenho,
por esse mundo, amigos espalhados. No caso, amizade de infância, de corpos
delgados e travessos nas mais ímpares e desalinhadas aventuras. As saborosas
descobertas de então. Gaiatos de linguagens aprendidas no minuto. O português e
o alemão misturados para forçar o discurso, comunicação. Funcionava para a
argumentação que íamos experimentando entre divertimento. Entendíamo-nos na
perfeição. A cada vinda a Portugal, estávamos juntos. Relação que já vinha de
trás, dos nossos ascendentes que, de forma tão natural, mantivemos. Devemos
ter, em momentos vários, tirado fotografias. Naquele dia, chegaram-me duas.
Talvez, em jeito de palmada nas costas, da desdita compreendida. Digo, porque
desconfio de coincidências. Gostei de recebê-las. Numa, de máscara a rigor, o
tormento de me vestir de outrem. Na outra, todos juntos na piscina lá de casa.
O critério tem desvios. Tenho alguma dificuldade em olhar as coincidências.
Mesmo quando não uso da generalização, desconfio. O que acabo de escrever
serve-se, em pontos concretos, da ironia. Gostei de recordar. Gosto de ter
amigos com memória. E, já agora, de me saber amigo de gente com compaixão
futebolística.
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