22.12.14

Um almoço descapotável e um tubarão no presente de natal.

Dezembro que vem a descobrir. Vem o inverno e o natal, sem defeito, em omnipresença. Ainda se vestem os fatos domingueiros, os sapatos engraxados. Escolhem-se as maneiras de estar fora de casa, não retribuem gentilezas, são feitos de votos de boas festas. Hoje tive um almoço descapotável, avançou o petiz de palavras desenvoltas, discurso harmonioso e buliçoso. Enquanto as mãos se ocupavam com o camião do hipermercado, a máquina retroescavadora, o formula 1 e o carro familiar. Definiu-os assim. Bem posso assegurar que não falhou. Nada, nem uma letra da definição imaculada. Alguns, sofridos pela insegurança das mãos que não procuram sossego. Escolhem a amizade dos actos que apaixonam com a proximidade da infância que assim já chega. Saltos em altura, em comprimento e o perto que nunca é chegado na pressa do entendimento. As mãos pequeninas, proporcionais. Bichos-carpinteiros que não dão tréguas. Brinca, sentado à beira, sem convite. Troca as pequenas réplicas de saltos em saltos. Boas intenções, aptas piruetas. Malabarismo que transforma. É a mesa uma gigante pista, como escreveu num pedido ao pai natal. Logo, sem esperar, avançou a pergunta necessária. – E tu, já escreveste? – Não, pensei. E não escrevi. Diz que menti. No natal e na cabeça saudável do petiz da brincadeira não há consoada sem natal e vontade na carta guardada. Farta mesa e presente na lareira. Frio lá fora, noite acordada. Sem saber, uma refeição não será, fora da imaginação, descapotável. Por seu turno, sê-lo-á, assim entenda. Como o carro ligeiro que salta, alegre e velozmente, sobre o  camião que transporta as couves, o arroz e o atum. Petiz em véspera de natal deliciou-se com uma saborosa e descapotável refeição. No final, depois de nos despedirmos, chamou-me e saltando na minha direcção, disse-me que era um coelho. – Posso ser um coelho no natal, não posso? – Sempre. O ano inteiro. Voltou para a mãe gritando que era um coelho. Como tanto do que rabisco com palavras, é tão real. Supera, aceito, a imaginação. Petiz porreiro. Espero que pai natal não se esqueça da pista de corrida gigante com uma boca de tubarão, igualmente enorme. Por graça, natal houve em que me apareceu uma portentosa pista na lareira. Natal é ser coelho e gritá-lo sem medo. Ah, e já agora, já sabe escrever o nome todo. Petiz valente. Natal com presente.

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