15.1.15

A Alice da gaiola na garganta.

Despertar com os pingos da chuva. A calçada portuguesa não conhece comédia ou drama. É tapete de passagem, segundo a segundo. Ainda se vestem as ruas de lojas bonitas, de negócios pujantes. De gente nova, com o empreendedorismo efectivo, as ganas nos actos. A determinação a fluir-lhes na mão, as ideias a fugir-lhes pela boca. A confiança nas pessoas. De norte a sul. Os insulares também. É o português preferido e perfeito. Menina bonita, de trejeitos desenvoltos, aperfeiçoando e enaltecendo a montra da livraria. Um cartaz ao centro chamava a atenção. Certamente, não tanto como a prodigiosa rapariga. Tchaikovsky soa. Talvez, naquele fugaz instante, seja a variação e a melhor comparação. É uma travessa sossegada. A sul situada. Os livros arrumados. A escolha musical parece despropositada. Como a tatuagem que espreita pela gola de lã grossa. Perguntou-lhe quem tem coragem. É uma gaiola civilizada. Resposta esta, tão inusitada. Com licença, que não percebemos a palavra dita. Não se cansou e o significado explicou. Uma gaiola larga, de fio fino, sem porta ou cancela, por nada nem ninguém caber nela. Regista-se, assim, a informação mais simples. Sejam bem-vindos, fiquem à vontade. Não se sugestionem por capas ou títulos. Escolham autores e temas da vossa verdade ou da mentira que querem conhecer. Eu sou a Alice. Desenhei a gaiola e ofereci-lhe a liberdade. Sugiro uma volta à sala. Hoje é um excelente dia para guardar um bom livro. Para escolhe-lo e debaixo do braço levar. Com conteúdo superior ao velho jornal que serve para o peixe fresco embrulhar.

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